Como transformar o terapeuta (professor) em um estímulo reforçador.

Para aqueles que querem trabalhar (ou já trabalham) com crianças do espectro, o primeiro passo a ser dado para que a intervenção tenha sucesso é se associar a estímulos agradáveis e considerados reforçadores: brincadeiras, comidas, desenhos e brinquedos favoritos. Pode até parecer óbvio, mas muitas vezes esse passo é esquecido em detrimento do “procedimento” que deve ser adotado. Sem essa associação inicial, a criança terá pouco interesse no terapeuta (professor) e na atividade. Mesmo quando o professor já possui um vínculo com a criança, o ideal é que se façam avaliações diárias da preferência. Nessas avaliações, se coloca dois ou mais estímulos disponíveis (brinquedos, comidas, desenhos, etc) e identificamos aquele(s) mais potentes para usar no ensino. Essa identificação ocorre na maioria das vezes, observando quais objetos a criança tenta pegar primeiro. Não adianta você querer usar o mesmo reforçador todo dia, a preferência da criança pode variar, e também a sua efetividade enquanto professor. Algumas vezes será necessário apresentar o brinquedo e ensinar a criança a usar aquele objeto para que ela comece a se interessar por ele. Por exemplo, crianças do espectro costumam adorar brincar com IPADs, mas na primeira vez que você apresentar esse equipamento, ela provavelmente não saberá como funciona e não tentará pegá-lo. Use uma parte do tempo para apresentar novos objetos, comidas e desenhos. Por fim, não adianta apresentar estímulos reforçadores preferidos a criança indiscriminadamente, ou seja, independente do comportamento dela. Por exemplo, se a criança recebe e olha para um brinquedo, mas você não pede para que ela olhar no seu olhe, ela pode simplesmente nem notar a sua presença. Os reforçadores devem ser acessados pela criança durante interações de olhar ou pedidos por parte do professor. Publicado em 17.07.14 e revisado em 03.04.24
Como podemos melhorar a adesão da criança do espectro à Terapia

Quando começamos o trabalho com uma criança, uma grande dificuldade que encontramos é estabelecer um ambiente em que o aprendiz cumpra o que é pedido de modo geral. Muitas delas, muitas vezes, nunca estiveram foram treinadas a seguir instruções e acabam apresentando problemas de comportamento como gritar, chorar, ou a agressão no para fugir dessas demandas. A intervenção nas primeiras sessões envolve parear itens reforçadores com o terapeuta (professor), e criar vínculo com nosso paciente. Durante este tempo, as demandas são pequenas e o terapeuta fornece muitos itens preferidos, principalmente para fortalecer esse pareamento e olhar para o terapeuta. Este processo faz com que seja mais provável que a criança cumpra as instruções do terapeuta. No entanto, aumentando gradualmente o nível de dificuldade das demandas e tarefas de ensino, a criança é “obrigada” a fazer um esforço maior para acessar itens considerados reforçadores. Nesse processo algumas crianças acabam apresentando maior dificuldade no cumprimento do que é pedido. Normalmente são crianças que possuem menor interesse por itens como brinquedos, jogos, desenhos, etc. O grande desafio no estabelecimento do compliance (da adesão à terapia)é encontrar reforçadores poderosos que mantenham a criança motivada a aprender! O uso de dicas também são fundamentais nesse processo, mas algumas crianças precisarão aceitar o toque e as dicas no ensino. Cada criança vai aceitar e aderir a terapia em tempos diferentes, de modo geral, crianças com respostas mais opositoras terão mais dificuldade, o que pode ser reduzido disfarçando demandas e reforçando respostas de colaboração. Publicado em 07.08.15 e revisado em 03.04.24
Reforçadores: O que são e como usá-los!?

Quem já conhece a intervenção em ABA, sabe que o uso de reforçadores (uma prática baseada em evidência) é o ponto central desse tipo de terapia. Um reforçador de modo simplificado é item de preferência da criança (pessoa), que funciona como uma “recompensa” a um comportamento desejado. No entanto, um item só é um reforçador, se sua apresentação aumenta a chance de um comportamento alvo ocorrer novamente. Por exemplo, se você quer reforçar a resposta de olhar no olho e apresenta bolha de sabão, após criança emitir a resposta “correta”, e essa criança não gosta de bolha de sabão, muito provavelmente ela não vai aumentar a resposta de olhar nos seus olhos, enquanto você estiver com uma bolha de sabão na mão. O processo do reforçamento ocorre com qualquer indivíduo, no entanto, para cada pessoa/ criança, os reforçadores vão variar, podendo ser itens arbitrário como acesso a eletrônicos, a simplesmente um sorriso do seus pais. Quando uma criança neurotípica fala as primeiras palavras, por exemplo, os pais costumam sorrir, dar atenção, repetir o que a criança fala, e isso acaba reforçando o comportamento de falar mais palavras. O reforço social, ou recompensa verbal são, geralmente, suficientes para reforçar os comportamentos dessas crianças. No entanto, se a criança está dentro espectro autista, ela pode não é tão sensível ao reforço social e precisamos começar o trabalho com reforçadores tangíveis (arbitrários), ou seja, brinquedos, atividades preferidas, vídeos, etc, para conseguir aumentar a resposta dela de falar palavras com sentido. Comumente, usamos brinquedos e objetos juntamente com recompensas verbais “isso ai”, “muito bem”, “perfeito”, “incrível”, pois nosso objetivo é que o reforço tangível seja substituído pelo social, no caso, por recompensas verbais. Começamos reforçando um comportamento por vez, depois aumentamos para 3, 6, 9 respostas para dar acesso a um reforçador (geralmente usando fichas), e por fim retiramos fichas arbitrárias do procedimento e trabalhamos com reforços mais naturais: recompensas verbais, jogos ao fim de um grupo de atividades, etc. Publicado em 18.02.16 e revisado em 03.04.24