Algumas instruções gerais:

Quando for dar instruções para o seu filho/ aprendiz, se abaixe ao nível dele e peça para ele olhar para você antes de instruí-lo. Muitas vezes, ele nem percebeu que está falando com ele. Quando der uma instrução e seu filho/ aprendiz não acatar, forneça dicas para que ele apresente a resposta. Por exemplo, quando você falar: “senta aqui”, e ele não sentar, direcione fisicamente a criança para uma cadeira. Caso você peça para ele te olhar, você pode colocar algum objeto preferido na frente dele e direcionar o objeto para o seu rosto. Quando seu filho/ aprendiz for agressivo (gritar, bater, morder, jogar tudo ao redor no chão), tente evitar que ele consiga ter sucesso nesses comportamentos. Fique na frente dos objetos, não o deixe morder. Caso ele consiga, se certifique que ele não tenha o brinquedo com o qual ele queria brincar nas mãos (caso seja esse o motivo do comportamento agressivo).. Quando seu filho/ aprendiz tiver que completar alguma atividade, se certifique de que essa atividade seja compatível com sua capacidade de realiza-la sozinho, e forneça caso necessário para garantir que ele completa-la. Quando seu filho/ aprendiz estiver chorando muito, talvez ele esteja querendo algo, ou cansado, com sono, doente, muitas podem ser as opções. É importante que você identifique se existe algum desconforto físico, ou se ele quer alguma coisa específica, mas também que tenha uma resposta mais neutra a esse comportamento dele. Se ele quiser seu colo, espere ele pedir apontando, levantando o braço ou vocalmente. Enquanto ele estiver chorando, o ideal é evitar fazer contato visual e chamar o nome dele. O choro funciona como uma forma de comunicação, por isso, tente substituir (ao máximo) por outros comportamentos: olhar no olho, balbuciar um som, sentar, pedir colo e atenção. Publicado em 16.05.2014 e revisado em 28.04.24

Reforçadores: O que são e como usá-los!?

Quem já conhece a intervenção em ABA, sabe que o uso de reforçadores (uma prática baseada em evidência) é o ponto central desse tipo de terapia. Um reforçador de modo simplificado é item de preferência da criança (pessoa), que funciona como uma “recompensa” a um comportamento desejado. No entanto, um item só é um reforçador, se sua apresentação aumenta a chance de um comportamento alvo ocorrer novamente. Por exemplo, se você quer reforçar a resposta de olhar no olho e apresenta bolha de sabão, após criança emitir a resposta “correta”, e essa criança não gosta de bolha de sabão, muito provavelmente ela não vai aumentar a resposta de olhar nos seus olhos, enquanto você estiver com uma bolha de sabão na mão. O processo do reforçamento ocorre com qualquer indivíduo, no entanto, para cada pessoa/ criança, os reforçadores vão variar, podendo ser itens arbitrário como acesso a eletrônicos, a simplesmente um sorriso do seus pais. Quando uma criança neurotípica fala as primeiras palavras, por exemplo, os pais costumam sorrir, dar atenção, repetir o que a criança fala, e isso acaba reforçando o comportamento de falar mais palavras. O reforço social, ou recompensa verbal são, geralmente, suficientes para reforçar os comportamentos dessas crianças. No entanto, se a criança está dentro espectro autista, ela pode não é tão sensível ao reforço social e precisamos começar o trabalho com reforçadores tangíveis (arbitrários), ou seja, brinquedos, atividades preferidas, vídeos, etc, para conseguir aumentar a resposta dela de falar palavras com sentido. Comumente, usamos brinquedos e objetos juntamente com recompensas verbais “isso ai”, “muito bem”, “perfeito”, “incrível”, pois nosso objetivo é que o reforço tangível seja substituído pelo social, no caso, por recompensas verbais. Começamos reforçando um comportamento por vez, depois aumentamos para 3, 6, 9 respostas para dar acesso a um reforçador (geralmente usando fichas), e por fim retiramos fichas arbitrárias do procedimento e trabalhamos com reforços mais naturais: recompensas verbais, jogos ao fim de um grupo de atividades, etc. Publicado em 18.02.16 e revisado em 03.04.24